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15.09.2021

Silke Weber e Agostinho Rosas relatam suas trajetórias e experiências pedagógicas em live comemorativa ao centenário de Paulo Freire

Em comemoração ao centenário do educador Paulo Freire, realizamos no último dia 08 de setembro a live “100 anos de Paulo Freire: o Professor, a Cidade e a Educação”, no YouTube do Instituto Capibaribe. O encontro contou com a participação da professora Silke Weber e do professor Agostinho Rosas, que apresentaram suas experiências e vivências com a pedagogia de Paulo Freire. A diretora do IC, Monica Antunes, abriu a live como mediadora apresentando os convidados e comentando sobre a ideia do evento em homenagem a Paulo Freire, por sua grande contribuição para a educação não só no Recife, mas em todo o mundo. “Pela renovação e revolução que ele fez no que se entendia por ensino, como ação libertadora e um caminho de superação”, afirmou.

A primeira a dar sua contribuição foi a professora aposentada, emérita da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ex-secretária de Educação que atuou com Paulo Freire no Movimento de Cultura Popular (MCP), Silke Weber. A professora ressaltou a alegria em rememorar suas experiências com Paulo na alfabetização de adultos e contou sua trajetória na área da educação. “O analfabetismo era visto como uma chaga social. A tarefa do MCP era encontrar meios que os adultos pudessem se alfabetizar mas com métodos diferentes das crianças. A primeira experiência com Paulo Freire foi no Poço da Panela e eu tive o privilégio de presenciar esse processo. Escolhíamos palavras do universo vocabular dos alunos que podiam desencadear um processo, ele chamava de palavras geradoras. O analfabeto começava a perceber as letras, as vogais e as combinações que se podia fazer. Foi interessante ver como Paulo se entusiasmava com isso”, contou Weber.

Silke Weber também fez um passeio pela vida do educador, contando como começou sua vida profissional até a descoberta de um método de alfabetização de adultos dentro da tomada de consciência da realidade cotidiana, com a organização do pensamento e superação da visão da realidade por uma visão crítica. “Paulo Freire desenvolveu a capacidade do homem brasileiro de discutir, de descruzar os braços. Desenvolveu uma educação democrática como ato comunicativo, respeitando as características de cada grupo. Sua missão pedagógica era com a troca de significados, com vínculo e contexto da história, sem imposição de significados, com mais diálogo, conceito que desenvolveu na sua prática educativa. Alfabetização como leitura do mundo, com diálogo e experiência de vida”, concluiu a professora.

Em seguida, o professor da Universidade de Pernambuco (UPE), membro do conselho consultivo do Centro Paulo Freire, Agostinho Rosas, fez questão de ressaltar sua posição de ex-aluno e ex-professor do IC, fundado por Paulo Freire. Agostinho se pautou no relato da sua trajetória como estudante e educador no Instituto Capibaribe, destacando que a escola é um espaço dinâmico onde ele transformou seu modo de pensar a educação. “Dona Raquel oportunizou a minha formação ao me colocar frente a um verdadeiro laboratório de estudo e superação das tradicionais perspectivas em torno da educação física e, principalmente, com a lógica esportiva. As reuniões no IC eram verdadeiras aulas. Como laboratório, o IC foi me oportunizando a pensar, provocando e transformando o modo de pensar a educação física quando me apresentava a sua marca: amar para compreender e compreender para educar”, lembrou Rosas.

Agostinho contou sobre sua proximidade ainda criança com Paulo Freire, que era amigo pessoal de seus pais, e do reencontro com suas ideias já adulto com a criação do Centro Paulo Freire. “Com a morte dele, criamos o centro de estudos e pesquisas que fiz parte da ideia e criação, e passei a viver intensamente. Só após o falecimento de Paulo Freire é que eu fui estudar a obra dele e fui me surpreendendo com algo que eu estava realizando sem uma explicação científica filosófica, mas empiricamente porque o modelo que aprendi tradicionalmente não me servia”, relatou.

Para finalizar, Monica agradeceu aos convidados da live e ao público que acompanhou o encontro, deixando uma chamada à reflexão para a comunidade IC. “Adaptar o Capibaribe ao tempo para que nós professores possamos refletir: onde encontramos Paulo Freire nas nossas práticas? Um mergulhar nas ideias que deram origem a criação da escola. Onde está Paulo Freire no Instituto Capibaribe?”, concluiu.

Confira abaixo o vídeo da live completa!